Dexter.

dezembro 23, 2008

Será que é mera impressão minha, causada pelos primeiros episódios da série, ou Dexter é, realmente, a coisa mais cretina que anda sendo exibida na TV ultimamente? Comecei a ver essa semana e achei tudo aquilo repulsivo, no pior sentido da palavra. A história, a grosso modo, é a de um serial killer que canaliza seu impulso assassino para “o bem”, para usar os termos da série, matando outros assassinos ”incuráveis” como ele. Tudo isso me soou como uma versão adolescente e divertida da mentalidade do americano médio que elegeu Bush, apoiou a guerra no Iraque e acredita na função moral da pena de morte. Claro que não é tão simples assim – Dexter, afinal, é tido na série como um monstro – no entanto, a possibilidade do espectador se afeiçoar ao personagem passa por esses “princípios morais” que ele assume e pela missão que recebeu do pai adotivo de usar o mal que paira sobre ele como uma espécie de dom.  As cenas da matança propriamente dita, em que vemos Dexter trucidando suas vítimas, parecem existir, portanto, em função de nosso gozo politica e moralmente irresponsável: aquelas criaturas miseráveis merecem morrer mesmo, pensamos, enquanto o trabalho sujo é feito pelo personagem.

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